sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O que é cidadania, direitos e desigualdades?

Segundo Maria Benevides, a cidadania está atrelada a noção de direitos e deveres previstos em um corpo jurídico-político (a constituição), que define quem pode ser considerado cidadão, quais os direitos e deveres do mesmo, quais direitos civis, políticos e sociais são assegurados e etc. Desse modo, a noção de cidadania está atrelada a um corpo político, pode mudar ao longo do tempo e varia de país para país. Crianças e deficientes mentais geralmente não são considerados cidadãos por não estarem aptos a exercer sua cidadania.
Já igualdade é um conceito bastante amplo, mas de forma geral é a busca de criar um tratamento isonômico entre todos os cidadãos, levando em consideração suas diferenças, com o intuito de dar um tratamento especial aos menos privilegiados e oprimidos e criar uma sociedade mais equânime. Ademais, o conceito é multidimensional e pode ser usado para se referir a igualdade formal, a igualdade social, política, econômica e etc.
Nesse contexto, em detrimento da igualdade existe o seu contrário – a desigualdade. Ela está atrelada a noção de que as diferenças de ordem sensível (física, gênero, cor e etc.) geram relações de poder que não são isonômicas, equânimes e justas, graças ao tratamento não igualitário e inadequado dado aos diferentes. Criam-se, então, abismos que devem se corrigidos pela busca da igualdade.
Por fim, o conceito de diferença está relacionado a pluralidade de formas sensíveis, as distinções de cor, raça, etnia, físicas, gênero e etc. que não necessariamente geram desigualdades. Desse modo, deve-se levar em conta que a desigualdade e diferença são conceitos distintos e que não devem ser confundidos.
Bruno Martins 
Estudante de Bacharelado em Ciências e Humanidades da UFABC



O conceito de cidadania durante o Período Colonial Brasileiro e a Ditadura Militar

No período colonial, segundo José Murilo de Carvalho, a cidadania era praticamente inexistente. Os direitos políticos eram muito reduzidos, o voto era censitário, os analfabetos (90% da população) não podiam votar, os direitos civis não eram assegurados, não havia consciência cidadã, o acesso a educação era extremamente limitado e não existiam direitos sociais.
Além disso, os escravos eram tratados como objetos e mercadorias e não possuíam nenhum tipo de direito, as mulheres eram excluídas do processo político e até mesmo os indivíduos das classes privilegiadas não podiam ser considerados cidadãos, uma vez que não havia divisão entre o setor público e privado, não havia igualdade formal perante a lei e estado de direito consolidado, os direitos civis não eram assegurados e a justiça era ao mesmo tempo pública e privada.
Desse modo, nesse período não se construiu uma noção de cidadania e a extrema desigualdade social aliada a uma grande concentração de poder e a presença de instituições políticas e econômicas (escravismo e latifúndio monocultor) exclusivas, extrativas e antidemocráticas praticamente eliminaram qualquer possibilidade de formação de um Estado liberal democrático que assegurasse o direito à cidadania.
Já no período da ditadura militar há um retrocesso na questão da cidadania em relação aos governos anteriores. Através doas atos institucionais, explicados no material audiovisual sobre o tema, os direitos vivis e políticos chegam ao ponto de serem totalmente cassados através do AI-5, há um grande desrespeitos aos direitos humanos, direitos civis básicos como respeito à integridade física e habeas corpus são totalmente desrespeitados e surge uma cultura patrocinada pelo governo militar de associação entre direitos humanos e direitos de “bandido”, segundo Maria Benevides.
Entretanto, nesse cenário assombroso, os direitos sociais são ampliados como forma de dar legitimidade ao regime. São criados os fundos rurais, os trabalhadores do campo ganham uma série de benefícios e é criado o INSS (instituto nacional de previdência social).
Dessa forma, pode-se dizer que tais períodos prejudicaram muito à formação de uma cidadania ativa, completa e multidimensional, a formação de uma luta pelos cidadãos e de uma consciência e educação sobre a questão da cidadania. Ademais, deixaram vestígios até os dias atuais através da propagação de uma cultura popular deslegitimadora da cidadania ativa completa.
Bruno Martins 
Estudante de Bacharelado em Ciências e Humanidades da UFABC

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ATENÇÃO


Plantão de Dúvidas - HOJE - Sala 374 / Bloco Delta 
19 horas até 22 horas.
Gabarito do exercício de Análise Fílmica

Elabore uma breve análise fílmica de Quanto vale ou é por quilo (Brasil: dir. Sergio Bianchi, 2005) levando em consideração os seguintes elementos discutidos em sala de aula:
1) zona não visível (Segundo Marc Ferro), 3.0
2) leitura histórica do filme e leitura cinematográfica da história, 3.0
3) iluminação, som, cenário, tomadas e cortes de câmera e ritmo. 4.0
Zona não visível – O aluno deve verificar que elementos do filme retratam discussões da época em que foi realizado. O que aconteceu no início do século XXI que favorece uma produção como essa. Por ex, o fortalecimento de movimentos civis de empoderamento dos negros por meio de diversas políticas públicas, como as referentes às memórias dos quilombolas.
Ex. grupo Morena

“De acordo com a análise de Marc Ferro, os filmes são frutos do momento histórico em que são produzidos e dialogam com o mundo que o rodeia, com ou sem a intencionalidade do diretor. Tem-se na zona do não visível os “lapsos” que denunciam a visão de mundo do autor, o público a quem a obra é direcionada, o momento histórico em que foi filmado e o regime de governo da época em que o filme foi produzido.
Em “Quanto vale ou é por quilo?”, um dos lapsos que revelam o período em que a obra foi filmada é a cena que relata a história da ex-escrava alforriada, Joana. A cena acontece em 1799, e para expressar a 'ascensão social' de escrava para dona de escrava, ela junta seus escravos e orgulhosa tira uma fotografia. Não foi considerado ao escrever a cena que a fotografia só chegou ao Brasil em meados de 1830. O momento político vivido em 2005 tem muita influência no debate trazido pelo filme, uma vez que, após os anos de ditadura, foi no governo de 2002 que os movimentos sociais tiveram mais autonomia e liberdade para discutir e reivindicar suas pautas específicas com a população.”

 Leitura histórica do filme (premiações, quem foi o diretor, quem foi a equipe, curiosidades)
Leitura cinematográfica da história (Como a história, no caso o período da escravidão (I) e início do século XXI (2) foi contada. Aqui cabe falar que foi contada comparativamente com cenas do passado e do presente alternadas para marcar a permanência das relações de poder/ humanas. Uso de citação de documentos para atestar uma certa “veracidade” dos fatos passados.

 Iluminação, som, cenário, tomadas e cortes de câmera e ritmo.
Iluminação – claro, escuro, natural, artificial,noite, dia (análise sobre isso). Ex. quando de noite há a expulsão de um outro caminhão de Ong do território da Ong retratada – análise, mostra a escuridão, nebulosidade nas relações dessas Ongs interesseiras.
Som – músicas e sons (ex. sons do batuque, objetivo, retratar o Brasil colonial)
Cenário – Ruas de terra batida, matagal (Brasil colonial), cidade, favela, urbanidade.
Tomadas e cortes de câmera – close, meio plano americano (da cintura para cima), travelling, geral. Cortes: abruptos, por ex, quando há o assassinato dos menores. Objetivo: mostrar o rompimento na vida.
Ex. tomadas de câmera citada pelo grupo Scarlett: Esteticamente, os atores aparecem posicionados, no “fim” de suas pequenas histórias, exatamente da maneira como em outra história já relatada, tais enquadramentos contribuem para que o sentimento de continuidade se propague pelo filme.
Ritmo – devagar, rápido (cenas curtas ou cenas longas, o porque), cenas curtas (maioria) Obj. profusão de pequenas histórias, alternância passado-presente.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Sobre trabalho final

Prezados alunos,

Respondendo algumas dúvidas enviadas por email, a proposta do trabalho final será a que está na ementa do programa:

A turma deve se dividir em grupos e escolher uma questão relacionada à temática do curso que esteja representada em um filme de escolha livre. Terá que realizar uma análise fílmica citando dois autores da bibliografia estudada (máximo 5 páginas TNR 12, espaçamento 1,5/  mais 2 páginas de iconografia e bibliografia totalizando 7 páginas).
Além de citar os dois autores, levar em conta a linguagem cinematográfica analisando elementos como iluminação, sonografia, enredo, cortes de cenas, movimentos de câmera.


A bibliografia a ser utilizada é a discutida durante o curso (não é mais necessário utilizar a bibliografia sobre análise fílmica - Ferro, Syd Field e Comparato).

A entrega do trabalho foi ADIADA para o dia 2 de dezembro bem como as apresentações.

A aula do dia 25.11 está reservada para eventuais dúvidas rf. ao trabalho final. Na próxima aula, 18.11, discutiremos os textos relativos a Ditadura, cf. ementa. (AULA Entre silêncios e esquecimentos: a supressão do Estado de Direito durante o regime militar).

att

Ana Maria

terça-feira, 10 de novembro de 2015

*** A T E N Ç Ã O ***

AMANHÃ (dia 11/11/2015) NÃO HAVERÁ AULA.
A Profa. Ana está doente e, por isso, a aula está cancelada.

POR ISSO:

A próxima aula (18/11) será sobre a Ditadura Militar (a PROVA II foi cancela, considerando que a maioria da turma foi bem na primeira prova);

A aula de 25/11 será a APRESENTAÇÃO dos trabalhos;

POR FAVOR, avisem os colegas.
Obrigado.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Quanto vale ou é por quilo


Sinopse:
Uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. No século XVII um capitão-do-mato captura um escrava fugitiva, que está grávida. Após entregá-la ao seu dono e receber sua recompensa, a escrava aborta o filho que espera. Nos dias atuais uma ONG implanta o projeto Informática na Periferia em uma comunidade carente. Arminda, que trabalha no projeto, descobre que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, precisa agora ser eliminada. Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver.

Fonte: Site Adoro Cinema. Disponível em http://www.adorocinema.com/filmes/filme-110753/. Acesso em 14/10/2015.




Elabore uma breve análise fílmica de Quanto vale ou é por quilo (Brasil: dir. Sergio Bianchi, 2005) levando em consideração os seguintes elementos discutidos em sala de aula:
1) zona não visível (Segundo Marc Ferro),
2) leitura histórica do filme e leitura cinematográfica da história,
3) iluminação, som, cenário, tomadas e cortes de câmera e ritmo.
A atividade deve ser feita pelo grupo formado para o trabalho final e postada como comentário desse post. Coloque o nome do grupo, nome e o RA de todos os integrantes. Mínimo 10, máximo 30 linhas.
Data e horário final para postagem 21.10 às 23h59.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Textos


Textos da Disciplina


Textos para a aula de 04/11/2015
Josué Pereira da Silva - Capítulo 4: Trabalho e Cidadania Social
Link: https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPNFh5VnR4Wlpva2c


O Século XX - Ultimo capítulo
Link: https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPVXhsSG9NNHpkM1k









Cinema e História - Marc Ferro
Link: https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPNkM2WTU0b045b3M

SYD FIELD - os fundamentos do texto cinematográfico
Link: https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPTllqZ1NENzdNbHc

O cinema como fonte histórica na obra de Marc Ferro
Link: https://drive.google.com/file/d/0B4r9FyvS_wcPaGEzRGZOTlo4TGs/view?usp=sharing



Educação em Direitos Humanos
Pág. 119-134
Link do Texto: https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPanR2RXVNVW5CQlU













Justiça e Memória
Pág. 121-158
Link: https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPRERfSXNiemNGZ0E

Pág. 159-171
Link: 















Trabalho, Cidadania e Reconhecimento

Cap. 3
Link:https://drive.google.com/open?id=0B4r9FyvS_wcPTElpYnFJajk0ZjQ


















Seguem páginas do texto da próxima aula CIDADANIA NO BRASIL O longo caminho de José Murilo de Carvalho:

Introdução - 7 a 14
O peso do passado - 17-25
Os direitos sociais na dianteira 110-126
Passo atrás, passo adiante 155-166